Arquivado em: milcoisasbichaux
Jean Jaccques era um dissidente da revolucao francesa. Depois de saber das intencoes de Napoleao com seu bloqueio continental, largou sua pequena padaria cuja entrada possuia uma roleta e decidiu seguir para a Siberia.
No 13ieme quartier de Paris, todos sabiam que Jean-Jacques nada tinha de politico ou engajado: queria fugir de tudo que lembrasse que nunca conseguiu ser feliz.
Depois de deixar seus brioches para a posteridade do novo proprietario, fechou as malas e seguiu para a Gare du Nord.
30 dias de trem, 20 horas de enjoo e 1 ideia fixa dans la tete: este homem eu ainda vou chamar de meu.
Chegado em Vladivostok, Jean-Jacques deixa suas malas numa estalagem para ciganos e corre para o centro do vilarejo.
No meio da praça, fixa seus olhos no ventre de um bebado caido no chao e cerra seu punhal no pobre indigente russo.
Sem muito alvoroço, entrega-se a guarda czarista alguns minutos depois do ato.
Segue tranquilo, inclusive pede para se algemar.
Diz que cometeu um crime horrivel e admite sofrer as consequencias desse latrocinio.
Em seu julgamento, fala ter sido arrebatado por alguma sorte de demonio que habita seus pensamentos, sussurando em meio a croissants e fermento biologico.
Grita como forma de escancarar sua auto-alegada demencia.
O tribunal o envia para a penitenciaria para um periodo de reclusao seguido de condenacao a morte.
Ao se alojar em sua cela, segura uma pequena caderneta preta.
Dia apos dia, assobia um trecho de uma polonaise de Chopin. Insistentemente.
Um mes passado, ouve uma barulho de chaves abrindo a grade de sua cela.
É ele. O homem que sempre amou.
O homem que sempre amou mais as historias de seus pacientes do que o amor.
“ Poderia voce me contar a historia da sua vida ?” – balbucia com uma voz rouca, o medico.
“ Eu matei um homem para o homem por quem morro me ouvir.”
- JEAN JACQUES
- TCHECOV.
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Aeeee!! a sua grande obra prima do Jogo da Literatura Brasileira, adorei.
Comment por Mariane Janeiro 11, 2008 @ 2:25 pm